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Par de Leões de Fô em porcelana vidrada sobre biscuit decorados com esmaltes da “Família Verde”, numa grande exuberância cromática. De grandes olhos, mostrando um olhar feroz e com grandes orelhas, ambas amovíveis, boca vazada com língua exposta, traduzindo uma expressão impiedosa.

Cristo nipo-português em marfim, da transição do século XVI/XVII, crucificado numa cruz de madeira decorada com os símbolos da paixão. A figura está adormecida, com o facies de expressão mística bem marcada e uma certa intensidade emocional. Apresenta grande detalhe anatómico, com veias e musculatura de forma convincente e características especificas reveladoras de modelo nipo-português.

Invulgar banca ou mesa de escrita indo‑portuguesa do século XVII em teca e sissó, com embutidos e guarnições em marfim e ébano. A decoração invade todo o móvel, tirando partido do efeito contrastante das madeiras utilizadas: embutidos escuros de ébano sobre o fundo claro da teca, pontuados por pequenas cavilhas de marfim, que matizam as superfícies de pontos brancos.

Salva de vinte e seis gomos em prata portuguesa. Centro liso com moldura periférica relevada, lisa e com a orla recortada definindo gomos côncavos sulcados em dimanação do centro.

Rara escultura em marfim sino-portuguesa, representando Nossa Senhora, que adapta, quer o entalhe da imagem à própria curvatura da presa, quer a iconografia europeia da Virgem Maria à deusa chinesa Kuan-Yin. Trabalho de grande beleza escultórica, de uma verticalidade elegante, representação característica de sua condição divina e expressão de espiritualidade e misticismo, próprias da arte cristã sino-portuguesa.

Menino Jesus de camilha, em marfim, impropriamente colocado sobre Orbis e peanha, passando a integrar a tipologia de Salvador do Mundo. De vulto pleno, calvo e de rosto oval, o nariz longo é aquilino, os olhos alongados, acentuados por matéria vítrea e a boca pequena, realçada por vestígios de pintura. As orelhas são bem desenhadas e realistas.

Pente em marfim esculpido em baixo-relevo e cravejado de rubis em ambas as faces. Duas apsaras ou deusas celestiais, com elaborados penteados, arrecadas e colares ao pescoço, vestidas com plissados, dançam temas rituais em uníssono. 

Raro prato em faiança portuguesa do segundo quartel do século XVII, de covo acentuado, aba lisa e levantada, revestido de esmalte branco com decoração pintada a azul‑cobalto. O fundo é preenchido com figura de um imponente fidalgo português de gibão, roupeta presa com cinto fluído, calças e meias atadas por fita, chapéu de abas largas e plumas, com espingarda ao ombro e espadim à cintura, rodeado por paisagem exótica com varandim, e pequeno rochedo com pessegueiro florido entre outros elementos florais.

Excepcional cómoda tombeau em pau-santo maciço, do período de transição D. João V / D. José, de linhas onduladas, concavas e convexas, dita “torta e retorta”, com aplicações em bronze cinzelado. A frente é abaulada, constituída por três níveis de gavetas, separados por vistas de entre panos bem marcados: o superior com duas e os restantes em gavetão, simulando duas gavetas iguais, idênticas às de cima. As frentes destes compartimentos têm uma elegante almofada com dupla moldura periférica de cantos arredondados.

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