Marfim, Tartaruga e Madrepérola

F719  Pente de marfim esculpido em baixo-relevo e cravejado de rubis em ambas as faces. Duas apsaras ou deusas celestiais, com elaborados penteados, arrecadas e colares ao pescoço, vestidas com plissados, dançam temas rituais em uníssono. Na tradição hindu as apsaras, mulheres jovens de grande beleza e elegância, especializadas na arte da dança, são consideradas bailarinas dos deuses e associadas aos rituais hindus da fertilidade, como as ninfas da antiga cultura grega.

F678  Pente em marfim, de formato trapezoidal com finos dentes. A decoração extremamente delicada e pormenorizada, típica dos trabalhos cingaleses, apresenta ao centro dois cisnes com pescoço entrelaçado, rodeados por densa vegetação com ramagens ondulantes. A cena domina toda a face, sendo contornada por friso em ouro com rubis cravejados. A representação destas aves, que actuava como importante elemento decorativo neste tipo de peças, remete para a mitologia hindu onde representa Hamsa, veículo do deus Brahma, primeiro deus da Trimurti.

F736  Placa de marfim praticamente preenchida pelo busto da Virgem com o Menino. Nossa Senhora apresenta rosto afilado, olhos amendoados, cabelos com madeixas, túnica de pregueados leves e longo manto drapeado sobre a cabeça. O Menino Jesus encontra-se despido, sentado no braço direito da Virgem, que tem na mão esquerda portuguesíssimos cravos (B. Ferrão). 

F792  Placa em marfim rectangular em alto-relevo e profusamente decorada, representando a Árvore de Jessé, árvore genealógica terrena de Jesus desde Jessé, pai do Rei David. Escultura de grande qualidade, ritmada por uma linha vertical, o tronco da árvore, que a divide a meio e condiciona toda a composição. Realçamos ainda a finíssima espessura do fundo, testemunho da grande mestria do artífice.

F953  Rara caixa de escrita em marfim, de formato paralelepipédico e tampa troncocónica, com decoração rebaixada e policromada, enriquecida com aplicações em prata, produzida no Decão, no centro da Índia e datável do século XVII. A decoração é característica das artes de corte dos Sultanatos do Decão, evidenciando uma tendência para preenchimento dos espaços disponíveis, pela repetição dos elementos decorativos. As paredes laterais mostram um padrão contíguo de ramalhetes vermelhos idênticos, inseridos em arcos polilobados a verde.

F730  Belo e delicado trabalho escultórico em marfim cíngalo-português. Nossa Senhora com coroa aberta, de pontas serradas e aro com friso, cabelos formando madeixa em ogiva nas costas, em ondulado muito fino; face oval, olhos amendoados e de boca sorridente. O corpo é achatado, veste túnica com pregas finas e gola rendilhada, com manto de orlas caindo em sinusóides; o panejamento de Nossa Senhora conflui num enlace tendo como centro Jesus Menino, que segura na mão esquerda, na direita tem uma flor de ashoka que oferece ao Menino.

F970  Menino Jesus sino-português em marfim, do séc. XVII. De grande qualidade escultórica, o menino encontra-se sentado em atitude de profunda meditação. A face é serena com traços orientais, tem cabelos bem desenhados com singelos caracóis periféricos, esboçando um leve sorriso. Veste túnica simples, desprovida de qualquer adorno. Está sentado, com as pernas cruzadas à maneira oriental. Segura na mão esquerda o orbe terrestre, tem o cotovelo direito apoiado no joelho e os dedos na face

F873 Excepcional Menino Jesus Salvador do Mundo, cíngalo-português do séc. XVI, em marfim. Esta imagem de grandes dimensões, e com uma qualidade escultórica notável é, sem dúvida, uma obra-prima da imaginária cingalesa. O Menino está representado de vulto prefeito, com uma postura majestática, abençoando com a mão direita e segurando a vara com a esquerda. Tem o pé direito sobre o orbe terrestre e ergue-se sobre uma peanha, com o fuste representando querubim.

F1037  Rara escultura em marfim sino-portuguesa, representando Nossa Senhora, que adapta, quer o entalhe da imagem à própria curvatura da presa, quer a iconografia europeia da Virgem Maria à deusa chinesa Kuan-Yin. Trabalho de grande beleza escultórica, de uma verticalidade elegante, representação característica de sua condição divina e expressão de espiritualidade e misticismo, próprias da arte cristã sino-portuguesa.

F920  Rara caixa paralelepipédica em marfim com tampa deslizante, elevada por cantoneiras. Apresenta quatro faces entalhadas e decoradas com reservas polilobadas separadas por flores – crisântemos, cravos, flores-de-lótus – e com edículas de tipo persa na tampa.

Páginas