Taça para vinho

Nº de referência da peça: 
F1047

Pequena taça para vinho, em jade nefrite branco acinzentado, translúcido e ligeiramente mosqueado, de concha em forma de gota com lóbulos marcados (godrões) e pega em forma de cabeça de cabra, provavelmente da famosa cabra de Caxemira (Capra hircus laniger), conhecida por Changthang, e que habita as montanhas a norte no subcontinente indiano, nos atuais Ladakh (no Kashmir) e Baltistan, de onde se obtém a tão apreciada lã de caxemira.

A forma lobada ou em godrões da concha remete quer para conchas marinhas quer para abóboras, ambas as formas reproduzidas em jade nos ateliers imperiais mogóis de Seiscentos. Trata-se de um estilo fortemente influenciado pelo mundo natural, e desde há muito caracterizado por Robert Skelton (Skelton 1972), cujo impulso e génese está no acesso e ulterior influência de obras (objetos preciosos e gravuras) de origem europeia, bem como de uma crescente proeminência da iluminura iraniana, que caracteriza as artes de corte mogóis nas primeiras décadas de seiscentos, nomeadamente nos reinados dos imperadores Jahangir (r. 1605–1627) e Shah Jahan (r. 1628–1658).

A presente taça, para vinho ou para tomar ópio dissolvido em vinho misturado com especiarias (conhecido por kawa) — uma prática tão ao gosto dos imperadores mogóis e dos seus ancestrais timúridas, remete pela sua forma geral e iconografia, para a taça entalhada em jade nefrite branco puro, datada por inscrição do trigésimo-primeiro ano (1657) de reinado do imperador Shah Jahan, e que apresenta igualmente uma cabra selvagem como pega, do Victoria and Albert Museum, Londres (inv. IS.12-1962).

Índia Mogol, possivelmente Agra

c. 1700

Dim.: 2,9 × 12,5 × 7,7 cm

Ex-colecção de Elsa Schiaparelli

Carved nephrite jade

Mughal India, Possibly Agra

ca. 1700

Dim. 2,9 × 12,5 × 7,7 cm

Former collection of Elsa Schiaparelli 

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