Macau - Praya Grande, Bocca Tigris, Wampoa, Cantão

Nº de referência da peça: 
D1362

Escola Chinesa, c. 1830
Aguarela sobre papel de arroz
Dim.: 16 x 28 cm
Prov.: Gonçalo Silva, Espanha

Macao - Praya Grande, Bocca Tigris, Wampoa, Canton
Chinese school, c. 1830
Watercolor on rice paper
Dim.: 16 x 28 cm
Prov.: Gonçalo Silva, Spain

View of the city of Canton, nowadays Guangzhou, on the banks of the Pearl River, showing clusters of ships gathered at port. Lined along the waterfront, multiple two and three-storey buildings of European architecture. Two are flying the French flag and another the flag of the United States, corresponding to two of the thirteen international trading factories of Canton, side by side with various Cantonese merchant buildings.
The entire neighbourhood was known locally as the “Thirteen Factories”, referred to by the Chinese community as “hong”, or merchant shops, the term “factory” having its origin in “factor,” an old English word for “commercial agent”. Each one of the buildings included living quarters, warehouses and trading offices and, although their impressive facades copied classical Western designs, their inner spaces looked very much like typically Chinese. This specific block of buildings was destroyed by fire in 1822, 1841 and 1856, and eventually moved to Shamian Island farther upriver.
By the second quarter of the 19th century, Canton was a large, densely populated walled city. Foreign mercantile activity took place outside the city centre, the newcomers confined to a tiny district on the banks of the river, segregated from the native population. For the Chinese, their Westerner neighbours were just a small component of a vast commercial network, spanning the whole of China and encompassing a large maritime zone.
The Ming emperors had confined Western trade to the town of Macao on the Pearl River estuary, but their successors, the Qing Dynasty would, in the 18th century, expand access to Canton. The Manchu court favoured foreign trade, under very specific conditions, and as long as it was conducted under government regulation. Canton was chosen as the most convenient port, both for the Chinese administration and the foreign traders.
The Chinese had, over the centuries, developed relations with various different peoples and ethnic groups, each having its specific place and role. They referred to alien peoples as “tributaries”, meaning those who came to pay tribute or bring gifts to the emperor, out of gratitude for his benevolent rule. The Westerners who arrived in China to trade, immediately joined these “tributary” ranks. From the Qing officials’ point of view, Westerners were just one other, amongst many groups who admired and sought to profit from their relationship with the flourishing empire.
Western ships not being allowed to sail upriver from Whampoa, this last stage of this trading journey was dominated by Chinese vessels of all types, as it is clear in this small painting. From small low sampans, living quarters for Chinese families, to junks and larger ships carrying officials and flying the imperial standard, all vessels converged to the port of Canton. The most impressive ship depicted in the foreground belonged to the hoppo, the official superintendent of maritime customs for Guangdong province, responsible for collecting duties and channelling them directly to the imperial coffers, and for managing orderly trade in Canton.
In this highly organised and hierarchic network, a special guild of merchants, the Co-hong, were granted a monopoly over trading with foreigners. After paying the hoppo substantial sums for this privilege, these hong merchants would attain considerable profits from their access to foreign trade. Since the Cantonese already had over a century of experience dealing with the Portuguese in Macao, they could take care of the new arrivals without much difficulty.
The Chinese whom Westerners saw most often were the sampan people. Each trading company commissioned licensed Chinese merchants, called compradors - a Portuguese word meaning “buyers” - to take charge for provisioning the factories and the ships. The comprador often organized the entire round voyage from Macau to Canton, taking care of official permits (“chops”), pilots and supplies. His men would also guard the factories once the traders departed. The sampan sellers provided all sorts of other services: barbers for the Europeans, coal, charcoal, firewood for fuel, while others specialized in ships’ supplies, as well as products like ducks on nearby farms and eggs.

Vista do porto de Cantão – Guangzhou – com inúmeros barcos estacionados no rio das pérolas, destino final dos europeus.

Ao longo da baía podemos identificar múltiplos edifícios de dois e três pisos com arquitetura europeia, visualizando-se em dois telhados a bandeira de França e a dos Estados Unidos, duas das treze feitorias de Cantão. Todo este quarteirão recebeu o nome de “Treze Feitorias” e os chineses chamavam-lhes “hongs” ou lojas de mercadores.

Cada feitoria tinha uma área habitacional, armazéns e uma zona que funcionava como entreposto comercial. O nome “feitorias”, em inglês “factories”, provém de “factor”, uma antiga palavra inglesa utilizada para denominar o “agente comercial” e não fábrica. Para além das suas impressionantes fachadas que seguiam os clássicos modelos ocidentais, existiam vários edifícios comerciais cantoneses intercalados no seu seio. Este quarteirão ardeu em 1822, 1841, e 1856, após o qual foi transferido para a Ilha Shamian, mais acima no rio.

Cantão era uma vasta cidade, densamente habitada, com uma grande muralha envolvendo os distritos centrais. Nas suas ruas a população urbana vivia o quotidiano longe dos estrangeiros.

Toda a atividade mercantil estrangeira desenvolvia-se fora das muralhas da cidade. A área circunscrita aos recém-chegados era este bairro que compreendia vários acres nas margens do rio. Os ocidentais eram apenas uma pequena porção da grande rede comercial que ligava o interior do país ao mundo exterior.

Os imperadores Ming confinaram os comerciantes ocidentais à cidade de Macau, mas na dinastia Qing esta área expandiu-se até Cantão. A corte Manchu fomentava as trocas comerciais estrangeiras, desde que estas fossem conduzidas sob as regras do governo, e Cantão revelou ser o porto mais conveniente tanto para chineses como para estrangeiros.

O povo estava acostumado a relacionar-se com diferentes géneros de pessoas e dava a cada grupo o seu espaço. Os estrangeiros eram chamados de “tributários” - aqueles que davam tributos ou oferendas ao imperador como símbolo de gratidão pela permanência no território e benevolência para com eles. Os ocidentais juntaram-se a estes povos tributários e não eram mais do que um pequeno grupo nas centenas de diferentes povos que admiravam e ambicionavam lucrar através da sua relação com o próspero império.

O hoppo era o superintendente oficial da alfândega marítima da província de Guangdong, responsável por recolher as tarifas alfandegárias e gerir o comércio ordeiramente. A experiencia de dois seculos de estadia dos portugueses em Macau foi muito útil, conseguindo gerir a chegada de novos mercadores sem grande dificuldade.

No lado chinês, uma corporação especial de mercadores, os Co-hong, tinham o monopólio do comércio com os estrangeiros. Pagavam quantias avultadas ao hoppo pelo privilégio de poderem negociar com estes estranhos, mas obtinham lucros muito significativos com as suas trocas comerciais. Aos estrangeiros apenas era permitido dirigirem-se aos Co-hong que por seu lado, entregavam os impostos ao hoppo. Este reportava diretamente ao imperador, o principal beneficiado destas transações.

No porto, as embarcações variam entre pequenas sampanas - onde habitavam as famílias chinesas - e juncos, reconhecendo-se ainda uma grande embarcação com a bandeira do império hasteada, que transportava o Hoppo, a mais importante e sofisticada, que aparece na pintura em primeiro plano.

Os chineses com que os ocidentais se relacionavam eram em geral os donos das sampanas. Cada companhia comercial autorizava mercadores chineses licenciados, chamados compradores – palavra portuguesa que significa “acheteur” - a assumirem o abastecimento das feitorias e dos navios. O comprador organizava toda a viagem entre Macau e Cantão, e o regresso, tratando das licenças oficiais “chops”, dos pilotos e de todos os recursos necessários. Os seus homens também vigiavam as feitorias quando os comerciantes se ausentavam.

Os vendedores das sampanas ofereciam todo o tipo de serviços: barbeiros, carvão e lenha para combustível, lona para velas, e alimentos tais como aves, ovos, legumes e fruta.

  • Arte Colonial e Oriental
  • Artes Decorativas
  • Diversos

Formulário de contacto - Peças

CAPTCHA
This question is for testing whether or not you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Image CAPTCHA
Enter the characters shown in the image.