Colher

Nº de referência da peça: 
F1163

Madrepérola e prata
Indo-portuguesa, Guzarate, c. 1620-40
Dim.: 11,5 cm

Spoon
Mother-of-pearl and silver
Indo-Portuguese, Gujarat, c. 1620-1640
Dim.: 11,5 cm

Rara e preciosa colher indo-portuguesa do seculo XVII, com concha em madrepérola e cabo em prata, fabricada a partir do gastrópode marinho Turbo marmoratus, concha característica da província indiana de Guzarate e muito apreciado na Europa, principalmente a partir do segundo quartel de Quinhentos.
A forma segue os protótipos europeus em metal da época, com concha ovalizada e pouco escavada.
O cabo, de forma galbada, apresenta três anéis salientes e termina em “casco de animal”. Uma fenda cavada e uma roda saliente no cabo sugerem um tachão (rebite). Uma charneira permitiria na versão original a articulação do cabo, recolhendo-o na concha, funcionalidade esta não compreendida pelo artífice no desenho ou na gravura que lhe fora fornecida.
A inclusão do cabo sobre a concha é feita, na frente e no tardoz, pela justaposição de um trifólio em prata com filete, gravado a buril junto ao rebordo, e fixo por dois rebites do mesmo material.
Os talheres mais abundantes à mesa de reis e príncipes eram as colheres, que assumiram, no século XVI, uma grande importância em toda a Europa, uma vez que, a maioria dos alimentos eram consumidos em pequenos pedaços ou sob a forma de ensopados. Eram também utilizados para servir o açúcar ou especiarias, considerados então como dois bens preciosos e guardados dentro de estojos específicos, feitos à medida, e facilmente transportáveis .

Nesta época, os portugueses começaram a trazer para o Reino vários objetos executados em Turbo marmoratus - exportando-os por vezes para as cortes europeias - entre eles, colheres e garfos, alguns dos quais viriam a receber montagens em prata já no velho continente.
São muito raras as colheres de prata “em casco de animal”. Conhecem-se peças feitas na época greco-romana, particularmente em Pompeia e, a partir do século XIV, na Holanda, estes bem documentados, na centúria de seiscentos, pelos pintores holandeses nas naturezas-mortas.
Exemplos coevos podem ser encontrados no inventário da Kunstkammer do príncipe Arquiduque Fernando II do Tirol, feito em 1596 e nas coleções do Musée National de la Renaissance à Écouen.
Esta pequena e importante colher, de cabo curto e ergonómico, com origem rastreada no final do século XVI, apresenta montagens de características indo-portuguesas e foi provavelmente produzida para um figura da nobreza ou para um alto dignitário ibérico.

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Rare and precious 17th century Indo-Portuguese silver handled spoon of Turbo marmoratus mother-of-pearl bowl. The iridescent shell of this marine gastropod species, common in Gujarat, was much appreciated in Europe from the mid-1500s onwards.
This particular format of spoon, of shallow oval shaped bowl, follows contemporary European prototypes. The cabriole handle, adorned with three raised rings, is topped by an ungulate foot. A simulated slit and a small protruding head close to the bowl end, simulate a rivet. In the original prototype, a hinge would effectively articulate the shaft, folding it onto the bowl concavity. The model however, most certainly copied from a drawing or print, was not fully understood by the artisan, who failed to replicate this detail.
The mother-of-pearl bowl fits into a double faced, stylized trefoil silver piece of engraved decoration, being fixed by two rivets in the same metal.
Spoons were the most abundant cutlery types on royal and princely tables, becoming highly relevant throughout Europe in the 16th century, as the various foods were mainly eaten in small portions or in stews. They were also used to serve sugar or spices, both expensive goods stored in purpose built and portable containers .
Turbo marmoratus mother-of-pearl objects such as spoons and forks, imported into Lisbon by Portuguese merchants and often exported to other European courts, would occasionally be mounted in silver on arrival to the Old Continent.
“Ungulate foot” spoons are extremely rare. Some examples dating to the Greco-Roman period, have been recorded particularly in Pompey. From the 14th century onwards they are well documented in Holland, often appearing depicted in Dutch still-life paintings .
Contemporary examples can be found described in the 1596 inventory for Archduke Ferdinand II of Tirol Kunstkammer, and in the Musée National de la Renaissance collections at Écouen.
This 17th century small but important spoon, of short and ergonomic silver handle, Indo-Portuguese in character, was probably produced for an Iberian aristocrat or high dignitary.

  • Arte Colonial e Oriental
  • Artes Decorativas
  • Marfim, Tartaruga e Madrepérola

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