Pote

Nº de referência da peça: 
C440

Raro pote rodado em faiança portuguesa do séc. XVII, de forma ovóide e bulbosa com duas asas e colo demarcado, pintado a azul-cobalto sobre esmalte estanífero. A decoração é densa e preenche integralmente toda a sua superfície, testemunhando o horror vacui, derivado de modelos islâmicos. Embora de nítida influência oriental a representação humana têm tipologia ocidental estando mas inserida numa paisagem orientalizante.

Numa face, personagem ornamentada com frutos na cabeça e na grande cornucópia que ostenta no regaço – simbolizando a Terra – está inserida num cenário de arvoredo e ramos floridos, com casal de lebrões à sombra de uma árvore e uma roda budista junto a duas gaiolas de pássaros, tudo numa perfeita simbiose de elementos.

No outro lado, uma dama num varandim, com saia comprida e corpete justo assinalando a cintura,  com punhos e gola de renda, e que cheira uma flor e segura um pássaro na mão, está rodeada por densa vegetação, onde se destaca uma romãzeira e um pássaro em voo. Embora se admita representar uma fidalga, eventualmente a encomendante da peça, está vestida com traje anterior à época de fabrico do pote, o que nos leva a crer que possa tratar‑se de uma representação da Primavera, tirada de uma gravura da época.

Faiança portuguesa, Lisboa, 1630 – 1640, Alt.: 40,0 cm
Portuguese Faience, Lisbon, 1630 – 1640, Height: 40,0 cm

  • Arte Portuguesa e Europeia
  • Azulejos e Faianças

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