Par de Cómodas D. José

A385  Raro e excecional par de cómodas portuguesas da época D. José I, em pau-santo maciço ricamente entalhado, com fundos em vinhático e ferragens em bronze ao gosto rocaille. O tampo é liso e emoldurado, acompanhando frente e ilhargas onduladas com quebras em curva e contracurva. Corpo com duas gavetas e três gavetões, que possuem frentes lisas e moldura dupla, com exuberantes ferragens em bronze. Estão ladeadas por pilastras salientes em consola, ricamente decoradas com fino trabalho de talha, percorridas por volutas de motivos assimétricos, finamente ornados de elementos estilizados, concertados em forma de “C” e “S”. As Ilhargas têm almofada central, com entalhes de ornatos nos cantos e moldura dupla. Os pés de moldura em cimácio, largos, entalhados e recortados, estão decorados em simetria, com motivos rocaillescos. Ao artista executante, a quem se deve o risco destas peças, não eram estranhas as gravuras e coleções de estampas que divulgavam os desenhos e as formas rocaille, principalmente as francesas. Sob a influência deste estilo,decorreu uma época artisticamente brilhante,pelo modo como se adaptavam os modelos estrangeiros aos portugueses, com fantasia e alta qualidade técnica. De grande mestriaderam provas os nossos marceneiros e entalhadores, valorizando plasticamente as peças pelo uso de materiais mais rijos e lustrosos, como o pau-santo e lavrando com magnífica perícia os elementos decorativos, que substituíam a utilização do bronze gravado e cinzelado, utilizado nos móveis estrangeiros. Vd. A influência destas cómodas remonta à cómoda da Regência francesa que surge corpulenta, com gavetas quase até ao chão e pernas curtas(en tombeau). Não obstante, apresentam particularidades comuns a um estilo nacional que o artesão português, com um enorme saber no seu ofício e um trabalho exímio de construção e de talha baixa, de imensa finura técnica, precisa e valiosa, com valor intácteis, macios e cintilantes, imprime um equilíbrio admirável às peças, entre o volume e a ornamentação assimétrica, atingindo o expoente máximo, quer de marcenaria quer de entalhe. Este par de cómodas constitui assim um importante exemplo de mestria portuguesa,com elevado requinte e qualidade,obrigando‑nos a considera-las como peças de excepção, dentro dos melhores exemplares da época. Acresce ainda a particularidade de ser um par, não conhecendo outro com esta qualidade.

Pau-santo Portugal, séc. XVIII Dim.: 97,0 × 140,0 × 60,0 cm Rosewood Portugal, 18th c. Dim.: 97,0 × 140,0 × 60,0 cm

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