Menino Jesus Salvador do Mundo

F873 Excepcional Menino Jesus Salvador do Mundo, cíngalo-português do séc. XVI, em marfim. Esta imagem de grandes dimensões, e com uma qualidade escultórica notável é, sem dúvida, uma obra-prima da imaginária cingalesa. O Menino está representado de vulto prefeito, com uma postura majestática, abençoando com a mão direita e segurando a vara com a esquerda. Tem o pé direito sobre o orbe terrestre e ergue-se sobre uma peanha, com o fuste representando querubim.

A cabeça do Salvador do Mundo é rotunda, com rosto sereno e ligeiramente inclinado. O cabelo é esculpido em finas madeixas búdicas, empastadas e encaracoladas na fronte, mais pronunciadas sobre a testa – a “urnã” de Buda – simbolizando a visão divina. Tem olhos amendoados, de olhar fixo e sobrancelhas em curva, sugerindo uma atitude mística e pensativa; o nariz é fino, de abas apertadas e a boca miúda, traduzindo uma expressão recolhida e sonhadora. O corpo é esbelto, longiforme, desnudo, com noções anatómicas e volumétricas naturalistas bastante relevantes.

O braço destro está elevado, com dois dedos em extensão, sinal de bênção, e o sinistro semi‑flectido. As pernas são de formato cónico, sendo que a direita, com duas pregas na coxa, apresenta-se ligeiramente dobrada, de modo a apoiar o pé sobre o globo terrestre; a esquerda encontra-se aprumada, com o pé repousando sobre a peanha. As mãos e pés têm fino entalhe, com dedos separados e achatados, longos e delicados, o polegar exibindo uma grande falange e unhas bem desenhadas. Esta composição está integralmente suportada por peanha em forma de colunelo, típica dos artífices cingaleses.

A base é quadrangular, o fuste exibe uma cabeça de querubim, com uma qualidade escultórica concordante com a restante peça, realçando-se o seu verismo, típico ainda de Quinhentos. Para além de todos os cânones aqui referidos e que são comuns às produções cingalesas, existem ainda outras características que reafirmam a sua proveniência, como seja o carácter alteado da representação, de um raro tipo maneirista, que apenas se encontra nestas produções de finais do século XVI; ao contrário, a produção goesa nesta altura ainda estava bastante ligada a formas de tratamento plástico menos elaborado, com peças de cariz mais arcaico.

Marfim e policromia Cíngalo-português, séc. XVI / XVII Alt.: 37,0 cm Polychrome ivory TÁVORA, Bernardo Ferrão de Tavares e, Imaginária Luso-Oriental, Lisboa, Imprensa Nacional, Casa da Moeda, 1983. — RAPOSO, Francisco Hipólito (coord.), A Expansão Portuguesa e a Arte do Marfim, Lisboa, Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses e Fundação Calouste Gulbenkian, 1991. — SILVA, Nuno Vassalo e (coord.) – Marfins no Império Português, Lisboa, Scribe, 2013 Cingalo-Portuguese, 16th/17th c. Height: 37,0 cm

  • Arte Colonial e Oriental
  • Artes Decorativas
  • Marfim, Tartaruga e Madrepérola

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