Cómoda D. João V/ D. José

A396  Nogueira Esta magnífica peça é um exemplo fascinante do móvel português de transição D. João V/ D. José I. O autor interpreta com grande criatividade os dois estilos, resultando numa união perfeita. Cómoda de nogueira entalhada em tombeau.Estrutura bombée com tampo liso de formato rectangular e recortado, moldurado e saliente,acompanhando a acentuada movimentação da caixa em curva e contracurva, repousando sobre tripla moldura. Frente com três renques de gavetas: sob o tampo, duas iguais e, nos restantes, um gavetão comcercaduras periféricas proeminentes e quebras laterais, separados por estreitos entrepanos lisos, com exceção do superior,que apresenta um friso de tremidos com diferentes angulações, irradiados a partir do centro. Avental ondulante, quase renteao chão, com concha central de transição ligeiramente aberta e expandida, a partir da qual se repartem simetricamente volutas em curva e contracurva, folhagem de acanto econcheados de bordos flamejantes. As pegas em bronze ricamente cinzelado, de cariz josefino e com desenho assimétrico, são realçadas por molduras de talha, também presentes nos escudetes dos gavetões. Uma sábia alternância de composição barroca e rocaille completa a decoração das gavetas em perfeita harmonia. Robustas pilastras em forma de consola salientes nos quatro ângulos, de entalhe barroco, dando preferência às folhas de acanto, conchas,flores e enrolamentos pronunciados, mas também, com alguns elementos decorativos assimétricos de forte pendor rocaille. Ilhargas decoradas por moldura centrada em escudo de cariz joanino, fortemente recortada e entalhada, ornamentada de curvas e contracurvas simétricas e encimada por folha de acanto barroca sobre elemento orgânico auricular. Pés terminados em sapata, característicos do estilo D. João V, decorados com talha alta através de enrolamentos exageradamente pronunciados fazendo alusão a chifres de bucrânio. Uma folha de acanto em relevo sobe pelas pilastras laterais. São de referir apenas duas cómodas com decoração e cronologia idênticas: uma cómoda papeleira em nogueira, datável do terceiro quartel do século XVIII, que integra fábrica de pequenas gavetas e tampo de abater,pertencente à Fundação Medeiros e Almeida(inv. 177); outra, da mesma época, entalhada em pau‑santo, de uma colecção particular. Se quanto a esta última, as semelhançascom a cómoda em estudo, se centram nos emolduramentos entalhados dos gavetões,já quanto à primeira, são de referir alguns aspetos: não apenas a mesma essência, tratando-se de um raro móvel, deste tipo,em nogueira – já que foram produzidos,mais usualmente, em madeiras tropicais brasileiras – mas igualmente a forma bombée, aqui também muito pronunciada, e acima detudo o entalhe ao gosto vernacular português, com folhagens de acanto, flores e pequenas cartelas.

Portugal, séc. XVIII Dim.: 91,0 × 129,0 × 78,0 cm Walnut Portugal, 18th c. Dim .: 91,0 × 129,0 × 78,0 cm

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