Abraham Blomaert, 1564–1651

D1099  “Céfalo e Prócris” ABRAHAM BLOMAERT (1564–1651) é uma das mais fortes personalidades da pintura holandesa do último Maneirismo. Seguiu num primeiro momento o estilo de Franz Floris e dos fiamminghi romanizados e, já em fase avançada de carreira (apesar de não ter ido a Itália), a influência do chiaroscuro de Caravaggio, adoçando o seu estilo através de um requintado naturalismo lumínico. Nascido em Gorinchem, filho de um arquitecto, o artista mudou-se em 1576 para a cidade de Utrecht, aí permanecendo toda a sua vida; foi presidente da guilda de São Lucas (que ajudou a fundar em 1611) e mestre de uma operosa oficina.

Salvo as breves incursões a Amesterdão e Paris, viveu sempre em Utrecht no tempo da chamada Guerra dos Oitenta Anos, o sangrento conflito entre católicos e protestantes durante a ocupação espanhola dos Países-Baixos. Como católico, Blomaert realizou obra numerosa para igrejas, tanto no sul como nas províncias do norte dominadas pelos protestantes e contam-se, neste género, algumas das suas obras-primas (Adoração dos Pastores do Louvree Epifania de Grenoble); pintou também alegorias, cenas histórico-mitológicas e naturezas-mortas.

A sua obra expõe-se nos grandes museus (Louvre, Berlim, Bruxelas, Utrecht, Grenoble, Metropolitan, etc…). Como artista, Blomaert situa-se entre o Maneirismo galante e caprichoso de inspiração italo-francesa, com ressonâncias da arte de Floris e da “escola” de Fontainebleau, e as influências naturalistas de Caravaggio, que recebeu por contacto com Gerard van Honthorst e Hendrick ter Brugghen, seguidores do caravagismo em Roma. Além de pintor fecundo, Blomaert foi famoso como gravador, produzindo centenas de estampas e tendo editado em 1650 um manual de gravura, Tekenboek, com um dos seus quatro filhos pintores, Frederick Blomaert.

Se bem que os seus estilemas sejam sobretudo os de um tardo-maneirista do Norte, teve ressonâncias na pintura portuguesa no caso de Josefa de Óbidos (1630–1684), que lhe seguiu o modelo gravado da Adoração dos Pastores num dos seus cobres1. Prof. Dr. Vitor Serrão, Historiador de Arte (IHA–FLUL) 1 “Natividade”, óleo s/ cobre reproduzido na p. 007 deste catálogo. Adão e Eva – Gravura de A. Blomaert.

Óleo s/ madeira Não assinado e não datado Dim.: 163,0 × 186,0 cm Oil on wood Unsigned and undated Dim.: 163,0 × 186,0 cm

  • Arte Portuguesa e Europeia
  • Pintura e Escultura

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